“Me senti enganado”: Juiz lamenta ter concedido guarda a pai preso suspeito de matar criança

Por - 16 de abril de 2014

O velório do menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, supostamente assassinado pelo pai e pela madrasta, reuniu milhares de pessoas em Três Passos, no Rio Grande do Sul, na manhã desta quarta-feira (16). Após a cerimônia, a Polícia Civil divulgou novos detalhes sobre o caso do estudante, que foi tratado inicialmente como desaparecimento. A criança foi procurada pelas autoridades durante dez dias até que seu corpo fosse encontrado em um matagal da cidade de Frederico Westphalen. As investigações apontam que o garoto foi morto com aplicação de uma injeção letal.

Além de confirmar a prisão preventiva dos suspeitos, a corporação informou que o atestado de óbito comprova que Bernardo foi morto “de forma violenta”. O pai do menino, o médico Leandro Boldrini, a mulher dele, a enfermeira Graciele Ugulini, e uma amiga do casal, Edelvania Virganovicz, foram presos na noite de segunda-feira (14). Os três ficarão detidos por 30 dias enquanto a participação deles no crime é apurada. 

Edelvania confessou ter ajudado a madrasta a ocultar o corpo do enteado. A Polícia Civil não deve mais comentar o caso publicamente por que as investigações passam a correr sob segredo de Justiça.

bernardo-tile

Milhares de pessoas se reuniram no funeral de Bernardo
Fotos: Reprodução/TVGlobo

Os investigadores ainda não chegaram a um consenso sobre o que teria levado o pai e a madrasta a matarem Bernardo. No entanto, a polícia revelou que o menino não gostava de morar com Leandro, Graciele e um meio-irmão pois sofria maus tratos. O estudante passou a morar com o pai depois que a mãe dele cometeu suicídio no escritório do ex-marido, em 2010. Ela foi encontrada com um tiro na cabeça. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) chegou a instaurar procedimento para investigar denúncias recebidas contra a família por negligência afetiva com o garoto.

O juiz da Vara da Infância e da Juventude Fernando Vieira dos Santos, responsável por conceder a guarda de Bernardo a Leandro, se mostrou bastante abalado com o crime. Ele disse que se sente “enganado” pelo pai da criança, já que ele teria concordado em adotar nova postura após a ação do Ministério Público. “O Bernardo foi enganado. E eu me senti enganado. Assim como ele eu não sabia que ele estava sendo levado para Frederico Westphalen”, disse ao portal G1 nesta quarta-feira.

O magistrado ressaltou ainda que adotou medida prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prioriza reinserção dos vínculos familiares, com aval do MPRS. “Não imaginávamos que tivesse esse desfecho. Porque não havia qualquer informação de agressões. Então, tomamos essa decisão baseada nas premissas legais”, afirmou.

Comentários