A Prefeitura de Belo Horizonte deve assinar, nos próximos dias, um convênio em Chengdu, na China, para instalar medidores do clima, inclusive acoplados a caminhões que fazem a coleta de resíduos na cidade. A expectativa é que a tecnologia seja adotada nos veículos no início de 2027.
De acordo com o Secretário Municipal de Meio Ambiente, João Paulo Menna Barreto, em entrevista exclusiva ao BHAZ, a intenção é que esses equipamentos possam revelar como está a qualidade do ar em diferentes pontos da capital mineira.
A tecnologia chinesa, considerada mais moderna pelo chefe da pasta, não terá custos para o município. Atualmente, Belo Horizonte já tem dois medidores fixos, instalados no Centro e no Anel Rodoviário. Outros três devem ser implementados nos próximos dias.
“O caminhão roda a cidade inteira e o medidor pega em tempo real e já joga para o sistema em qual nível está a rua”, explica o secretário sobre a instalação nos caminhões da SLU
Segundo Menna Barreto, é importante que as conclusões sobre a qualidade do ar e as políticas públicas implementadas sejam embasadas em dados técnicos oferecidos por essas tecnologias.
“Eu fui aluno da ministra [do Supremo Tribunal Federal] Cármen Lúcia, no Direito Constitucional, e ela disse que a ‘achologia’ é uma ciência em desuso”. Não é questão de opinião” conta.
Qualidade do ar em BH
A qualidade do ar em Belo Horizonte também é medida pela UFMG. Um estudo divulgado no final do ano passado apresentou índices acima dos padrões recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O levantamento desenvolvido pela UFMG identificou que todas as vias analisadas ultrapassaram o limite aceitável de 45 microgramas por metro cúbico. Entre os locais avaliados, a rua Padre Eustáquio, na região Noroeste de BH, registrou a maior concentração de poluentes, chegando a 78 microgramas por metro cúbico.
Com o uso de uma estação móvel, o trabalho da UFMG analisou a poluição atmosférica ao longo de deslocamentos pelas vias da capital. O equipamento, instalado em um veículo, coletou dados em tempo real com o apoio de uma câmera óptica a laser que contabiliza partículas presentes no ar.
Segundo o climatologista Alceu Raposo Júnior, autor da pesquisa, o planejamento urbano tem influência direta nos índices de poluição. Ruas estreitas, com edificações próximas e grande retenção de veículos, como a Padre Eustáquio, tendem a concentrar mais poluentes. Já vias mais largas, com melhor fluidez do trânsito, conseguem maior dispersão das emissões.
O levantamento também observou que a qualidade do ar piora no inverno devido à menor capacidade da atmosfera de dispersar os poluentes, provocando a formação de “bolsões” sobre a cidade. A pesquisa, orientada pelo professor Wellington Lopes Assis, também avaliou a eficácia do equipamento de baixo custo utilizado no monitoramento, com a proposta de estimular sua aplicação em outras cidades e em novos estudos sobre o tema.










